A Polícia Civil descartou qualquer ligação entre a morte de Dante de Brito Michelini, o Dantinho, e sua participação no Caso Araceli, crime ocorrido em 18 de maio de 1973.
Dantinho e o pai, Dante de Barros Michelini, além de um amigo, Paulo Helal, foram investigados por participação no assassinato da menina Araceli Cabrera Crespo, que na época tinha oito anos. Eles até foram condenados, mas depois acabaram inocentados pela justiça.
Araceli foi abusada sexualmente, torturada e depois morta. Além disso, seu rosto havia sido desfigurado com ácido e o corpo jogado próximo a um hospital localizado em Vitória.
A morte da menina abalou o país e a data se tornou símbolo de luta contra violência infanto-juvenil e deu origem ao Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes.
Muitos especularam a ligação da morte de Dantinho com o crime, mas a hipótese foi abandonada depois que Willian Santos Manzoli, de 29 anos, assumiu ter o matado por vingança pessoal.
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Motivação do crime
De acordo com a Polícia Civil, Willian cometia furtos na região em que o assassinato foi praticado. Após cometer um desses crimes, ele se escondeu em um imóvel que ficava dentro da propriedade de Dantinho, sem a autorização do idoso.
A vítima havia o expulsado do local, agredindo Willian com um pedaço de madeira.
Ao chegar em uma boca de fumo em Guarapari, Willian passou a ser alvo de deboche por traficantes e criminosos, que caçoavam dele pelo fato de ter apanhado por um idoso e por um “jack” termo utilizado informalmente para denominar estupradores.
As informações foram passadas pelo chefe do Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP), delegado Fabrício Dutra, que o suspeito ficou revoltado por ter sido agredido por um estuprador.
“Quando ele volta para (lembrando que ele é usuário de substâncias), nos lugares onde foi, as pessoas começaram a fazer chacota com ele. A expressão que ele nos fala é ‘você tomou uma surra de um jack”. Ele ficou muito indignado por saber que a pessoa era um estuprador, ele não sabia do caso Aracelli, mas aquilo ficou na cabeça dele”, explica o delegado Fabrício Dutra.
Em 19 de janeiro, Willian voltou ao sítio de Dantinho Michelini e invadiu o terreno após cortar uma cerca do local. Ele entrou na casa, onde encontrou o idoso que naquele momento preparava um pão com manteiga, usando uma faca.
Os dois partiram para a briga e Dantinho foi mobilizado. Willian alegou que ele ainda estava vivo quando foi decapitado. Para assassiná-lo, o suspeito o imobilizou com o joelho em suas costas, no momento que passou a degolá-lo.
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Em depoimento à Polícia Civil, realizado nessa terça-feira (10), Willian confessou o crime e, durante o depoimento, demonstrou orgulho de ter cometido o assassinato.
“Nossos investigadores aplicaram um técnica de conversa, para deixar o suspeito bem à vontade. A gente percebeu que ele se orgulhava de ter matado um estuprador. Ele é um criminoso, tem diversas passagens. Ele ficou orgulhoso do que fez. É um indivíduo perigoso, ele pensou, planejou, tem um perfil de extrema violência e frio, porque confessa com tranquilidade, até uma certa glória“, enfatizou Dutra.
Ainda de acordo com o delegado, o assassinato serviu para que Willianse redmisse em frente a traficantes de Guarapari por conta da agressão que sofreu de Dantinho.
Depois de cometer o crime, William pegou a cabeça de Dantinho, colocou dentro de uma sacola e a levou a uma mata. Ele jogou dentro da água, porém acabou boiando. Dessa forma, utilizou arame e uma pedra para segurá-la.
O chefe da DHPP de Guarapari, o delegado Franco Malini, afirmou que não há dúvida que o Willian cometeu o crime, pois ele deu detalhes nos quais somente o assassino poderia saber.
“Ele passou detalhes, por exemplo, como a cerca cortada, que só quem esteve no local poderia saber. Essas informações foram checadas pela investigação e pela perícia. Ele disse que entrou e esperou a vítima aparecer, eles entram em luta corporal, e parte para o demais atos“, explicou.








