O anúncio de um possível novo tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros voltou a gerar preocupação entre empresários, economistas e lideranças do setor produtivo do Espírito Santo. A proposta, divulgada pelo governo do presidente Donald Trump, prevê uma tarifa adicional de 25% sobre diversos produtos importados do Brasil, medida que ainda será analisada após consulta ao setor privado norte-americano.
A iniciativa foi apresentada após a conclusão de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que apontou supostas práticas comerciais consideradas injustas. A decisão final sobre a aplicação da nova tarifa caberá ao presidente norte-americano.
O tema também ganhou repercussão política no Brasil. Embora a proposta seja uma decisão exclusiva do governo dos Estados Unidos, o debate tem envolvido setores ligados ao bolsonarismo devido à histórica aproximação política entre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e o presidente Donald Trump. No entanto, até o momento não há evidências de participação direta de lideranças brasileiras na formulação da medida.
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Atualmente, já está em vigor uma tarifa de 10% sobre praticamente todos os produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos. A nova proposta elevaria significativamente os custos para diversos setores, embora alguns itens estratégicos para a economia norte-americana permaneçam fora da lista de taxação.
Entre os produtos capixabas que seguem protegidos da nova cobrança estão o café em grão, minério de ferro, petróleo e parte da produção de frutas. Ainda assim, importantes segmentos da economia estadual permanecem em alerta.
Segundo relatório divulgado pelo Banco Central em maio, o Espírito Santo foi o estado brasileiro mais afetado pelas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos nos últimos anos. O estudo aponta que o Produto Interno Bruto (PIB) capixaba sofreu retração de 0,55% em razão das medidas tarifárias.
Os números demonstram a importância do mercado norte-americano para a economia estadual. Apenas entre janeiro e abril de 2026, os Estados Unidos foram destino de 24,3% das exportações do Espírito Santo.
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Um dos setores mais preocupados é o de rochas ornamentais. Produtos como granitos, mármores, ardósias e outros materiais beneficiados poderão ser atingidos pela nova taxação. Apenas o quartzito permanece entre as exceções previstas.
Para a Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas), os impactos podem ser significativos para a indústria e para a manutenção dos empregos em toda a cadeia produtiva.
O presidente da entidade, Tales Machado, destaca que os Estados Unidos são o principal destino das exportações brasileiras de rochas naturais e que cerca de 45% do faturamento exportado pelo setor pode ficar em risco caso as medidas sejam efetivamente implementadas.
Especialistas alertam que o aumento das tarifas reduz a competitividade dos produtos brasileiros no mercado norte-americano. O economista Eduardo Araújo explica que o exportador passa a enfrentar um dilema: reduzir sua margem de lucro ou correr o risco de perder espaço para concorrentes internacionais.
Segundo ele, embora alguns produtos capixabas estejam protegidos pelas exceções previstas, ainda existe incerteza sobre a classificação aduaneira de diversas mercadorias, especialmente no segmento de rochas ornamentais.
O especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental do Instituto Jones dos Santos Neves, Pablo Lira, avalia que a nova proposta é potencialmente mais preocupante do que as medidas anunciadas anteriormente, por possuir sustentação jurídica mais consistente dentro da legislação comercial norte-americana.
O setor industrial também acompanha a situação com atenção. Dados apontam que as exportações da indústria de transformação para os Estados Unidos registraram queda de 4,2% em 2025. Entre os segmentos mais afetados estão produtos de metal, madeira, papel, celulose e veículos.
A Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) destaca que os Estados Unidos continuam sendo o principal parceiro comercial do Estado. Somente nos quatro primeiros meses de 2026, as exportações capixabas para o mercado norte-americano alcançaram US$ 752,82 milhões.
Diante do cenário, empresários e lideranças econômicas defendem ações para diversificar mercados, fortalecer acordos internacionais e ampliar a presença dos produtos capixabas em regiões como Europa e Ásia, reduzindo a dependência de um único destino comercial.
Enquanto a consulta pública conduzida pelo USTR segue em andamento, o setor produtivo aguarda a decisão final do governo norte-americano, prevista para os próximos meses. Até lá, a preocupação permanece elevada entre empresas que dependem diretamente das exportações para os Estados Unidos.
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