sábado, 10 outubro 2026 |
Da retirada de professora à proibição de cidadão e à posse determinada pela lei: decisões do presidente da Câmara geram questionamentos sem resposta
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Da retirada de professora à proibição de cidadão e à posse determinada pela lei: decisões do presidente da Câmara geram questionamentos sem resposta

A sessão ordinária da Câmara Municipal de Linhares realizada na última segunda-feira (06/07) chamou a atenção de uma forma pouco comum na história do Legislativo municipal. Uma professora, frequentadora assídua das sessões, foi retirada do plenário por determinação do presidente da Casa, vereador Roninho Passos, e conduzida à delegacia após a intervenção da Guarda Civil Municipal.

O episódio gerou repercussão dentro e fora da Câmara e levantou um debate que vai além do caso em si: até onde vai o poder da Presidência para manter a ordem durante uma sessão e qual é o limite entre o exercício da autoridade e a preservação do direito de participação popular em uma Casa conhecida como “Casa do Povo”?

Segundo relatos e imagens da sessão, a professora Ana Maria, conhecida por comparecer às reuniões caracterizada com diferentes personagens e por se manifestar em voz alta durante os debates, interrompeu um momento de homenagens realizado no plenário.

Após adverti-la, o presidente informou que aquela seria a segunda advertência e, antes mesmo de concluir sua fala, determinou que a Guarda Civil Municipal retirasse a cidadã do plenário. Na sequência, afirmou que, caso ela não deixasse o local voluntariamente, a Polícia deveria ser acionada para conduzi-la à delegacia.

Durante a discussão, a professora fez o gesto popularmente conhecido como “dar uma banana”, movimento realizado com o braço em direção ao presidente, fato que contribuiu para o agravamento da situação.

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Embora o gesto possa ser considerado ofensivo e possa ter consequências legais, o episódio passou a despertar outro questionamento entre pessoas que acompanham o funcionamento do Legislativo municipal: a condução da ocorrência foi proporcional ou existiam outras alternativas previstas para restabelecer a ordem?

O Norte Notícia ouviu vereadores e ex-presidentes da Câmara que exerceram a Presidência em diferentes legislaturas. Segundo os relatos obtidos pela reportagem, mesmo em sessões marcadas por discussões acaloradas e manifestações do público, a medida normalmente adotada era a suspensão temporária dos trabalhos até o restabelecimento da ordem, evitando que o conflito se agravasse.

Alguns ex-presidentes afirmaram não se recordar de situação semelhante em que um cidadão tenha sido retirado do plenário e conduzido à delegacia durante uma sessão por determinação da Presidência.

O episódio também trouxe à tona outras decisões adotadas por Roninho Passos ao longo deste ano.

Em março, durante uma sessão, o presidente afirmou que determinado cidadão, a quem chamou de “mal caráter”, não entraria mais na Câmara enquanto ele ocupasse a Presidência.

 

Outro episódio que gerou debates foi o processo envolvendo a posse do suplente da vereadora Pâmela Maia, Gilson Gatti, que somente assumiu o mandato após a aplicação da legislação pertinente.

Considerados isoladamente, os episódios possuem contextos distintos. Entretanto, analisados em conjunto, passaram a alimentar críticas de parte da população e de agentes políticos quanto ao estilo de condução adotado pela atual Presidência da Câmara.

A função de presidente do Poder Legislativo exige firmeza para garantir a ordem dos trabalhos, mas também equilíbrio, serenidade e respeito aos princípios da publicidade, do contraditório e da participação popular. Em qualquer Parlamento democrático, autoridade e diálogo caminham lado a lado.

É justamente por isso que decisões como a retirada de um cidadão do plenário costumam despertar interesse público e merecem ser amplamente esclarecidas.

 

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Norte Notícia buscou esclarecimentos

Com o objetivo de apresentar todos os lados da história, o Norte Notícia encaminhou ao presidente Roninho Passos nove questionamentos, entre eles quais motivos fundamentaram a retirada da professora, por que foi determinada a condução à delegacia, quais dispositivos do Regimento Interno embasaram a decisão, por que não foi adotada a suspensão temporária da sessão e como responde às críticas sobre outras decisões tomadas durante sua gestão na Presidência.

Até o fechamento desta reportagem, nenhuma das perguntas havia sido respondida.

Independentemente das posições favoráveis ou contrárias à decisão da Presidência, o episódio reforça um princípio essencial da vida pública: quanto maior a autoridade exercida por um agente político, maior também é a responsabilidade de prestar contas de seus atos à sociedade.

A Câmara Municipal pertence à população, e decisões que impactam diretamente o funcionamento da instituição e a participação dos cidadãos naturalmente despertam interesse público, exigindo transparência, fundamentação e diálogo.

Veja vídeo do dia em que o presidente diz que vai colocar determinado cidadão para fora da Câmara e na última sessão quando manda chamar a polícia para uma professora 

Foto – Rede Social

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