Uma professora de Bebedouro, em Linhares, conquistou reconhecimento estadual por um projeto pedagógico que uniu educação, agricultura e criatividade. Kézia Duarte Ferreira, da rede municipal de ensino, ficou em terceiro lugar no Concurso de Experiência Pedagógica Desenvolvida pelos Professores, durante o Agrinho 2026. Como prêmio pela conquista, ela recebeu uma moto zero quilômetro.
A educadora trabalha no CEIM Leodovico Donatelli, em Bebedouro, e desenvolveu com uma turma de crianças de 5 anos o projeto “Caminhos do Milho: Uma semente, muitas descobertas entre o campo e a cidade”.
A proposta foi mostrar aos alunos como o milho percorre diferentes caminhos, desde o plantio nas propriedades rurais até sua utilização na alimentação humana e na produção de ração para animais.
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Projeto aproximou as crianças da realidade do campo
Durante as atividades, os estudantes conheceram produtos derivados do milho, aprenderam sobre a realidade rural e tiveram a oportunidade de plantar um milharal no quintal pedagógico da escola.
O planejamento foi construído com a participação das próprias crianças, que conheceram variedades de milho e aprenderam sobre o cultivo consorciado, técnica que permite plantar diferentes espécies na mesma área.
“No quintal pedagógico fizemos o consórcio milho, feijão e abóbora”, contou a professora Kézia.
Outra etapa do projeto envolveu testes de germinação, que estimularam a curiosidade dos alunos e mostraram a importância da observação e da pesquisa no processo de aprendizagem.
“Aprendemos que pesquisar também é observar, rever ideias e tentar novamente”, destacou a educadora.
Histórias, jogos e descobertas fizeram parte das atividades
O trabalho também se estendeu ao projeto institucional “Ler o Mundo”, que resultou na produção de três histórias: “Miloca e a ponte de muitas mãos”, “Miloca e as Conexões do Milho” e “Lia e o baú dos quatro milhos”.
As narrativas reuniram descobertas e experiências vivenciadas pelos estudantes durante o desenvolvimento das atividades pedagógicas.
Outra produção foi o álbum de figurinhas “Brasil em Espigas”, criado para ajudar as crianças a conhecer diferentes espécies de milho encontradas no Espírito Santo.
Jogos e brincadeiras também integraram a iniciativa. Por meio dessas atividades, os alunos trabalharam contagem, organização de sequências, tomada de decisões e compreensão das etapas do cultivo e do percurso do milho.
“Brincando, as crianças contaram, organizaram sequências, tomaram decisões e compreenderam as etapas do caminho do milho. As aprendizagens ultrapassaram a sala de aula”, explicou Kézia.
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Professora destaca avanços na aprendizagem
De acordo com a educadora, o projeto contribuiu para o desenvolvimento dos alunos em áreas como linguagem matemática, convivência e autonomia.
Kézia também ressaltou que a conquista foi resultado de um trabalho coletivo, com a participação de profissionais da escola, famílias e parceiros da comunidade.
“Foi um projeto feito a muitas mãos. Agradeço muito o incentivo e a colaboração da diretora Keyla Duarte Ferreira, a parceria com Luiz Fernando Leoncio, da escola Butterfly de Bebedouro, das famílias, dos agricultores, pesquisadores e do INCAPER”, destacou a professora.
Agrinho 2026 envolveu milhares de estudantes no Espírito Santo
Em 2026, o Agrinho alcançou 60 municípios capixabas e recebeu mais de 1,7 mil trabalhos inscritos em mais de 600 escolas.
O programa contou com a participação de mais de 71 mil estudantes e 4,8 mil profissionais da educação, entre pedagogos, coordenadores, diretores e professores, envolvendo cerca de 4,2 mil turmas.
Com o tema “Conexões que transformam”, a edição deste ano incentivou experiências pedagógicas que aproximam o campo e a cidade, estimulando a criatividade, a cidadania e a consciência ambiental.
O Agrinho é realizado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Espírito Santo (Senar-ES), em parceria com a Federação da Agricultura e Pecuária do Espírito Santo (Faes), os Sindicatos Rurais e as Secretarias Municipais de Educação.
O programa também contou com o apoio da Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag), do Sebrae, da OCB, do Sicoob e do Sesc.
A conquista de Kézia Duarte Ferreira coloca em evidência o trabalho desenvolvido na educação infantil de Bebedouro e mostra como experiências práticas podem transformar conteúdos escolares em oportunidades de descoberta e aprendizagem.

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